
Não é que esse recurso ideológico alguma vez tenha sido abandonado, aliás, faz parte do cardápio que diariamente é servido num simples telejornal ou no mais insuspeito programa de entretenimento. As palavras tantas vezes fingidas de sã convivência democrática, sobretudo quando se pratica uma política que nada tem a ver com a democracia, são rapidamente substituídas por violentas e insultuosas declarações como, aliás, aconteceu na véspera da grande jornada de luta dos professores pela voz de um dos principais responsáveis do Governo e do PS. Esse mesmo que, dois meses antes, na Assembleia da República, a propósito da discussão do Estatuto dos Jornalistas se tinha insurgido contra o facto de uma jornalista do Avante!, eleita pelos seus pares, ser dirigente do sindicato da classe.No ataque ao Partido, aos trabalhadores e à sua luta, o Governo PS está longe de estar sozinho. O anticomunismo baseia-se na mentira e deturpação da verdade (como demonstram as insinuações feitas de que o PCP promove acções intimidatórias junto das iniciativas ou sedes de outros partidos), mas também se expressa no silenciamento do PCP, na deturpação do seu ideal, dos seus valores e propostas, no branqueamento e falsificação da história (agora com novas fases de promoção do fascismo e dos seus dirigentes), na perseguição e discriminação dos seus membros, na caricatura do seu funcionamento interno, no questionamento sobre a sua participação no regime democrático. Mas o anticomunismo não é um sinal de força, mas sim de fraqueza, daqueles que na ausência de respostas aos problemas do povo, na incapacidade de sustentarem as suas políticas, procuram difundir o preconceito e afastar camadas e sectores atingidos por esta política da sua aproximação ao Partido e do seu ingresso na luta por melhores condições de vida e pela transformação da sociedade.Sem subestimar os seus efeitos junto de sectores mais sensíveis a manipulações e vacilações, os tempos que vivemos comportam amplas possibilidades para a afirmação e reforço do Partido. Para muitos, está hoje mais claro que o PCP é a verdadeira oposição a este Governo nas palavras e na acção, que não há alternativa sem o PCP. O melhor combate que se pode dar a estes novos desenvolvimentos da linha anticomunista é o Partido continuar a cumprir o seu papel profundamente enraizado e ligado aos trabalhadores e ao povo, com a perspectiva de que derrotar esta política é difícil mas não é impossível.



